segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Papa à Rota Romana: não existe direito absoluto ao casamento


ROMA, domingo, 23 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Não existe um direito absoluto ao casamento, que os pastores tenham de satisfazer mediante “um mero reconhecimento formal, independentemente do conteúdo”. É o que Bento XVI afirmou ao receber os membros da Rota Romana para a inauguração do ano judicial.
Durante a audiência, o Papa defendeu uma ação pastoral eficaz de preparação e admissão ao matrimônio, o que para grande parte da opinião pública constitui apenas “trâmites de natureza exclusivamente formal”. Um dos objetivos desta preparação é prevenir as nulidades matrimoniais, a fim de “romper o círculo vicioso” que leva a considerar um casamento nulo só “com base na constatação do seu fracasso”.
O direito ao casamento, explicou Bento XVI, não é “uma pretensão subjetiva que os pastores devam satisfazer mediante um mero reconhecimento formal, independentemente do conteúdo efetivo da união”, mas “pressupõe que se possa e se pretenda celebrá-lo de verdade e, portanto, na verdade da sua essência, tal como a Igreja ensina”.
“Ninguém pode exaltar o direito a uma cerimônia nupcial. O ius connubii, de fato, se refere ao direito de celebrar um casamento autêntico. Portanto, não ocorreria negação do direito ao ius connubii nos casos em que fosse evidente a inexistência das premissas para o seu exercício”, afirmou.
É necessário, então, o “máximo cuidado pastoral na formação dos nubentes e na verificação prévia das suas convicções sobre os compromissos irrenunciáveis, para se garantir a validade do sacramento do matrimônio”.
A este propósito, prosseguiu o Papa, um sério discernimento “poderá evitar que impulsos emotivos ou razões superficiais induzam dois jovens a assumir responsabilidades que depois não saberão honrar”.
O exame pré-matrimonial, neste sentido, não deve ser considerado como um mero “trâmite burocrático”, mas como “uma ocasião pastoral única, a ser valorizada com toda a seriedade e atenção que ela requer, e na qual, através de um diálogo cheio de respeito e de cordialidade, o pastor tenta ajudar a pessoa a encarar seriamente a verdade sobre si mesma e sobre a sua vocação humana e cristã ao casamento”.
“O diálogo, sempre desenvolvido de forma separada com cada um dos noivos – sem diminuir a conveniência de outras conversas com o casal – pede um clima de plena sinceridade, que sublinhe o fato de os próprios noivos serem os primeiros interessados e os primeiros obrigados em consciência a celebrar um casamento válido”.
“A Igreja não rejeita a celebração do casamento a quem está bem disposto a ele, mesmo se estiver imperfeitamente preparado de um ponto de vista sobrenatural, desde que tenha a reta intenção de se casar conforme a realidade natural do matrimônio”, explicou ainda.
Em suma, afirmou o Papa, trata-se de “realizar uma eficaz ação pastoral dirigida à prevenção das nulidades matrimoniais”.
Isto também exige “que a ação dos tribunais eclesiásticos transmita uma mensagem unívoca sobre o que é essencial no matrimônio, em sintonia com o magistério e a lei canônica, falando a uma só voz”.
“O bem que a Igreja e toda a sociedade esperam do casamento e da família fundamentada nele é grande demais para não se comprometerem a fundo neste âmbito pastoral específico. Casamento e família são instituições que devem ser promovidas e defendidas de qualquer possível equívoco sobre a sua verdade”, concluiu o Papa.
O Tribunal da Rota Romana remonta à Chancelaria Apostólica. Suas atribuições foram determinadas definitivamente por Bento XIV com a Constituição Iustitiae et pacis em 1747. A partir de Gregório XVI (1834), a Rota também se tornou tribunal de apelação para o Estado Pontifício, enquanto as causas que concerniam ao foro eclesiástico eram decididas pelas Congregações.
As normas vigentes foram aprovadas e promulgadas por João Paulo II em 7 de fevereiro de 1994.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CURSO DE TEOLOGIA E DE FILOSOFIA PARA LEIGOS DA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

Estão abertas as matriculas para o curso de Teologia e Filosofia na Igreja Matriz da Boa Vista. Praça Maciel pinheiro, s/n. Informações: Tels 3032-2052/ 3222-3823. Início das aulas: 1 de fevereiro de 2011.
Documentos necessários:
Ficha 18 ou 19
Carta de apresentação do Pároco
Taxa de Inscrição
Colaboração mensal
2 fotos 3x4.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO

Advento 1003: Sinais da Chegada

Advento não é propriamente preparar o Natal,
mas celebrar a chegada do Senhor.
Quais são os sinais da sua chegada?

As Leituras bíblicas são um convite muito forte para a ALEGRIA,
porque o Senhor, que esperamos, já está conosco e
com ele preparamos o Advento do seu Reino.
Por isso, o 3º domingo do Advento é chamado "Domingo da alegria".

A 1ª Leitura é um Hino à ALEGRIA. (Is 35,1-6a.10)

O profeta deseja despertar e fortalecer a esperança dos exilados.
O povo atravessava um dos piores períodos de sua história:
Jerusalém e o templo destruídos, o povo deportado na Babilônia.
Mesmo assim, o profeta prevê a ALEGRIA dos tempos messiânicos:
fala do deserto que vai florir, da tristeza que vai dar lugar à alegria,
Ele libertará os cegos, os coxos, os mudos de suas doenças...
* São SINAIS que indicam a chegada de um mundo novo,
onde não haverá mais lugar para a doença, a dor e o pranto..

Na 2ª Leitura, Tiago convida à espera com PACIÊNCIA. (Tg 5,7-10)

No Evangelho, Jesus mostra que o mundo novo anunciado pelo Profeta
já chegou. O texto tem 3 partes: (Mt 11,2-11)

1. A PERGUNTA de João Batista:
João Batista estava preso... por Herodes... por reprovar o seu comportamento...
No cárcere, ouve falar das obras de Cristo, tão diferente do que se esperava:
Ele anunciara um juiz severo que castigaria os pecadores...
Ao invés, defronta-se com alguém que se aproxima dos pecadores.
Perplexo, envia a Jesus dois discípulos com uma pergunta bem concreta:
   "És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar por outro"?

2. A RESPOSTA de Jesus:
Jesus responde apontando seis sinais concretos de libertação,
já anunciados por Isaías há muito tempo:
   "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo:
    cegos... paralíticos... leprosos... surdos... mortos... pobres evangelizados..."
    E acrescenta:  "Feliz quem não se escandalizar de mim..."
* Jesus mostra a João que as suas obras comprovam a era messiânica,
   mas sob a forma de atos de salvação, não de violência e castigo.

3. O TESTEMUNHO de Jesus sobre João:
- João Batista não é um CANIÇO que verga conforme o vento:
  não é um pregador oportunista que se adapta conforme a situação.
- Não é um CORRUPTO que vive na fortuna e no luxo...
- É muito mais que um PROFETA... "É o maior dos nascidos de mulher".
= Mas, com surpresa, acrescenta:
   "No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele".

* Os que já pertencem ao Reino transcendem àqueles
   que o precederam e prepararam.
   Declaração implícita da superioridade do Novo sobre o Antigo Testamento;
   da Igreja sobre a Sinagoga; da Lei de Cristo sobre a Lei de Moisés.

+ A Ação libertadora de Deus deve continuar na História
    através de gestos concretos dos seguidores de Cristo.

A resposta de Jesus a João Batista foi clara:
"Ide contar a João o que estais OUVINDO e VENDO..."
Pelos "sinais", que podiam ver e ouvir, Jesus comprovava
a presença salvadora e libertadora de Deus no meio dos homens.
Para perpetuar no mundo a ação salvadora e libertadora de Deus,
os "Sinais", que Jesus realizava então,
devem continuar acontecendo agora, através dos seus seguidores.
- Em nossa vida e nossas comunidades há gestos de salvação e libertação
que são sinais que o Reino de Deus já chegou?

- Os "surdos", fechados num mundo sem comunicação e sem diálogo,
encontram em nós a Palavra viva de Deus
que os desperta para a comunhão e para o amor?
- Os "cegos", encerrados nas trevas do egoísmo ou da violência,
encontram em nós o desafio que Deus lhes apresenta de abrir os olhos à luz?
- Os "coxos", privados de movimento e de liberdade,
escondidos atrás das grades em que a sociedade os encerra,
encontram em nós a Boa Nova da liberdade?
- Os "pobres", sem voz nem dignidade, sentem em nós o amor de Deus?
   * O que significa hoje recuperar a vista aos cegos, a capacidade
      de andar aos coxos, a audição aos surdos, a ressurreição aos mortos?
        
+ A Liturgia de hoje é um convite forte à alegria:
   "Alegrai-vos sempre no Senhor, de novo vos digo:
    alegrai-vos: o Senhor está perto". (Ant de Entrada)

O mundo vive carente de alegria.
A depressão tornou-se a doença dos tempos modernos.
Muitos, na ânsia de ter alegria, agarram-se a coisas e pessoas,
que, só lhes conseguem proporcionar momentos fugazes de prazer.

A Boa Nova trazida no Natal é mensagem de alegria...
Gabriel na anunciação... Isabel na visitação... Maria no Magnificat...
os Anjos aos pastores...

A ALEGRIA é uma característica de nossas Comunidades?
Somos semeadores de alegria ou motivo de dor e tristeza?

                                            Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 12.12.2010


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO

Advento 1002: "Convertei-vos"

Em nossa caminhada para o Natal, a Liturgia desse domingo
nos convida a nos despir dos valores efêmeros e egoístas
que muitas vezes nos fascinam,
para dar lugar em nós aos valores do Reino de Deus.

As Leituras bíblicas apresentam duas figuras típicas do ADVENTO:
ISAÍAS e JOÃO BATISTA

Na 1ª Leitura, ISAÍAS apresenta um Enviado de Javé, descendente de Davi,
com a missão de construir um Reino de Justiça e Paz. (Is 11,1-10)

É uma das maiores profecias do Antigo Testamento referentes ao Messias,  
com que o profeta reaviva a esperança do seu povo,
diante das ameaças do imperialismo dos assírios.
O Poema dá as características:

 - Será descendente de DAVI: (Jessé é Pai de Davi)
    "Naqueles dias, do tronco de Jessé sairá um ramo e um broto de sua raiz".  

- Será animado peloESPÍRITO de Deus: (Como na Criação)
    Sobre ele pousará o Espírito do Senhor:
    Espírito de sabedoria e inteligência, de conselho e de fortaleza,
    de conhecimento e de temor de Deus,(de piedade).
      * É esta a origem da nossa lista dos 7 dons do Espírito Santo.

- Será portador da JUSTIÇA e da PAZ: "Trará justiça para os humildes..."
   Haverá a reconciliação da Criação: voltará a harmonia perdida
   entre o homem e a natureza, entre os animais selvagens e domésticos....

* Jesus é o "messias"  que veio tornar realidade o sonho do profeta.
   Ele iniciou esse "Reino" novo de justiça, de harmonia, de paz sem fim...
   Cheio do Espírito de Deus, ele passou pelo mundo convidando os homens
   a se tornarem "filhos de Deus" e a viverem no amor e na partilha.
   - Mas a profecia está longe de sua completa realização.
     O Reino novo trazido por Jesus só poderá se estabelecer
     a partir de nossa conversão pessoal, familiar e comunitária.

Na 2ª Leitura, Paulo exorta os cristãos de Roma a viverem no amor,
dando testemunho de união, de amor, de partilha, de harmonia,
a fim de que louvem a Deus, com um só coração e uma só alma. (Rm 15,4-9)

No Evangelho, JOÃO BASTISTA anuncia que esse Reino está proximo,
mas para que se torne realidade precisa CONVERTER-SE. (Mt 3,1-12):

- Personalidade: É uma figura impressionante, que fascina o povo;
   Tem um estilo de vida austera: no vestir, no comer, no falar, no morar...  
   Vive no "DESERTO", lugar das privações, do despojamento,
   mas também lugar tradicional dos encontros entre Deus e Israel.
- Mensagem: É um Apelo à CONVERSÃO
   "Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo..."
   "Preparai o caminho do Senhor: endireitai as veredas para ele."

- Reação ao Anúncio:
   - O Povo simples: reconhece seus erros e pede o Batismo...
   - Os Fariseus e Saduceus: vão ao encontro de João por curiosidade apenas...
     e são desmascarados: "Raça de cobras venenosas...
      produzam frutos que a conversão exige e
     não se iludam a si mesmos, dizendo:‘Abraão é nosso Pai' ".

- O Batismo de João: consistia na imersão na água do rio Jordão
  para as pessoas que aderiam a esse apelo de conversão.
  Significava o arrependimento, o perdão dos pecados e a agregação ao povo fiel.
  Mas ele avisa, que aquele que vem depois dele
  "batizará no ESPÍRITO SANTO e no fogo..."

- Portanto o Batismo de Jesus vai muito além do batismo de João:
  Confere, a quem o recebe, a vida de Deus e torna-o filho de Deus;
  incorpora-o à Igreja e torna-o participante da missão da Igreja no mundo...

- É um quadro de vida completamente novo, uma relação de filiação com Deus
  e de fraternidade com Jesus e com todos os outros batizados.
  É um SACRAMENTO.

+ A Voz de João Batista continua convidando à CONVERSÃO...

Não é possível acolher "aquele que vem" se o nosso coração estiver cheio de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preocupação com os bens materiais.
Se quisermos celebrar a vinda do Senhor e participar do seu Reino,
devemos preparar o caminho, mudar o nosso coração.
Nesse itinerário, não há espaço para a hipocrisia.
Não bastam as aparências, apenas dizer que somos cristãos
porque recebemos o batismo.
A Conversão deve ser comprovada pela ação.
+ Os Frutos de conversão comprovam a autenticidade da nossa conversão:
Não bastam alguns sentimentos religiosos... ou algumas práticas piedosas...
Precisamos apresentar frutos de conversão: Paz, Fraternidade, Justiça...

- Quais os caminhos tortos, que devemos endireitar?
- Quais os frutos de conversão que Deus está esperando de nós,
  neste Advento, em preparação ao Natal ?

- Estamos convencidos de que, se não dermos esse passo,
  nunca será Natal em nós, nem mesmo no dia 25 de dezembro?

  Deus espera que tenhamos a coragem de dar esse passo!...

                                               Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa -05.12.2010




APRESENTAÇÃO DE SLIDE DO PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO.

http://www.buscandonovasaguas.com/arq/A01_Vigiai.pps